Menina
Chegas... refreias a vontade de um abraço... de um beijo.
Olhas para mim com desejo,
Escondes a menina apavorada dentro de ti,
Queres dar o ar de mulher segura, madura...
Provocas com um olhar libidinoso.
Adias o contacto...sei que gostas que te olhe,
Queres sentir nos meus olhos o desejo da besta... que controlo.
Nesses momentos, que antecedem o toque e o beijo,
Quando se trava a avidez e se provoca o jejum expontâneo,
A essência do ser, encontra a intemporalidade dos sentidos,
Floresce um jardim de desejos proibidos,
Onde eu e tu nos acabamos por deitar.
Descontrolamo-nos, deixamos de ser apenas dois corpos,
Fundimo-nos desembestadamente,
Esporeando-nos com o ardil da língua,
São nossas as pradarias da volúpia.
Damo-nos um momento para respirar,
deixar que o sol se vá na sua caminhada,
exalamos os cheiros, que nos estonteiam,
o calor que nos prende,
deitamos as ultimas achas, na lareira...
uma ultima brincadeira...
possuímos a terra e o céu, quebramos o véu,
sentimos a noite cair,
explodimos no cimo de um monte de loucuras,
iluminamos o espaço, com o crepitar do arrebatamento.
Escondes a menina apavorada dentro de ti,
Queres dar o ar de mulher segura, madura...
Beijo-te por Amor, deito-me na praia do teu corpo,
Esperando com angustia o momento...
Em que terás de...partir.
Queres dar o ar de mulher segura, madura...
Choras quando vais...
Uma pessoa.
